Há uma altura em que deixamos de perguntar se ficou bom.
Passamos a reparar no que podia ter ficado melhor.
Hoje foi o alho.
Amanhã será o sal.
Depois, um texto com uma palavra a mais.
Um pedaço de código que podia ser mais simples.
Uma fotografia tirada uns segundos antes.
Se o prato tivesse corrido mal, provavelmente não me lembraria dele daqui a um mês.
Podia falar do concerto. Da crónica que, anos antes, me tinha posto Taormina na cabeça. Do jantar debaixo das oliveiras. Do Smart que decidiu ser jipe por um dia enquanto subia a encosta do Etna. Dos Camparis e dos amarettos.
Mas aquilo que me voltou primeiro foram os cães.
Durante aqueles dias, eram eles os verdadeiros anfitriões. Entravam e saíam pelo jardim como se a casa fosse deles, e eu apenas mais um visitante de passagem.
Só me lembrava do nome de um: Maggie.
Talvez porque Maggie é também o nome que o meu melhor amigo de infância dá à minha mãe. Há coisas que ficam presas à memória por caminhos estranhos.
Os outros nomes tive de os ir procurar em notas antigas, numa conta já ela própria quase esquecida.
Years ago in Portugal, I spent hours reading blogs—the blogosphere, as it was called.
I wasn’t looking for answers; I was discovering people. People who loved building things, traveling, reading, listening to good music, taking photographs, and occasionally sharing a piece of themselves with strangers.
Many of those blogs are gone now.
Most of the people who wrote them will never know the impact they had.
They helped shape who I am.
This site is my way of repaying a small part of that debt.
Lembro-me de estar junto ao Tejo, algures entre o Cais do Sodré e o caminho que segue para os bares e as discotecas, a tentar decidir se ficava em Lisboa ou se partia para Paris.
Não me lembro do dia. Lembro-me apenas do rio.
Hoje penso nesse lugar como uma fronteira invisível. De um lado ficou a vida que conhecia. Do outro, a vida que ainda não existia.